Os tapetes antigos tornam-se mais valiosos
Um tapete oriental atado à mão é uma das poucas peças de mobiliário que podem ganhar valor com o tempo. Não cada peça e não em cada período, mas num subgrupo relevante a curva de valor segue um padrão verificável. Esta página mostra quando e porquê isso acontece.
#Que peças ganham valor
Três categorias mostram valorização a longo prazo. Primeira: peças de manufatura assinadas de casas consolidadas (Habibian, Seyrafian, Davari, Salahi e algumas mais). Estas peças estão documentadas desde o início, têm um mercado de colecionadores ativo e são leiloadas várias vezes por ano.
Segunda: tapetes tribais e de aldeia antigos do período anterior à comercialização industrial da atadura, sensivelmente entre 1850 e 1920. Yomud, Salor, Tekke, Kazak antigos e Heriz deste período atingem hoje regularmente preços de quatro a cinco algarismos por metro quadrado em boas casas de leilões.
Terceira: peças com proveniência especial. Um tapete que demonstravelmente vem de uma coleção célebre, de uma residência de embaixador, de um percurso de leilão documentado, tem um sobrepreço mensurável.
#Os dados de leilão como referência
A Sotheby's e a Christie's publicam os seus resultados de venda em linha. Aí podem seguir-se as tendências desde os anos 1990. Um dado típico: um Heriz de 1880 em 250 × 350 cm, peça de manufatura assinada, passou em leilão entre 2000 e 2020 de uma média de 8.000 euros para 18.000 euros. São 4,5 por cento de valorização anual, sem inflação.
O topo é claramente mais móvel. Um fragmento Pazyryk da coleção do Hermitage não seria economicamente segurável, porque faltam peças comparáveis. Mas vendas documentadas de peças comparáveis vindas de coleções privadas mostram evoluções de preço claramente acima do crescimento económico geral.
Para os tapetes domésticos médios da segunda metade do século XX, a evolução do valor é menos clara. Muito depende do estado de conservação e da procura de mercado. Algumas peças mantêm o seu valor, outras perdem lentamente.
#O que impulsiona a valorização
Quatro fatores explicam a maior parte da evolução do valor.
Escassez. Os tapetes antigos atados à mão já não são produzidos. A técnica da atadura ainda existe, mas o material (lã natural antiga, tinturaria natural) e o estilo (linguagem formal pré-industrial) não são reproduzíveis. Com cada peça perdida, as restantes ganham valor.
Interesse de colecionador. O mercado internacional de colecionadores de tapetes orientais antigos está profissionalmente organizado desde os anos 1970. Grandes colecionadores nos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha compram de modo continuado, o que mantém a procura estável.
Valorização cultural. Os tapetes tribais e de manufatura antigos são cada vez mais entendidos como objetos de história da arte, e não apenas como mobiliário. As exposições museológicas (Met, V&A, Pergamonmuseum de Berlim) elevaram claramente o estatuto destas peças nos últimos 20 anos.
Valor comparado com outras classes de ativos. Em fases de taxas de juro baixas, o capital migra para ativos tangíveis, entre eles antiguidades. Os tapetes orientais beneficiam de forma menos espetacular do que a arte, mas de forma constante.
#Como comprar hoje para tirar partido amanhã
Três recomendações se compra com a evolução do valor em mente.
Compre algo documentável. Uma manufatura com assinatura, um comprovativo de proveniência de leilão, uma proveniência escrita: tudo o que comprove a história da peça ajuda na venda futura.
Compre substância, não aparência. Tinturaria natural, lã de cortiça, atadura regular, estado original: são os fatores que ainda contarão dentro de 30 anos. Uma aparência vistosa sem substância arrefece mais depressa do que uma peça sóbria com uma construção excelente.
Não compre no pico. Certos estilos ficam especialmente caros por ciclos (peças de inspiração Art Déco por volta de 2010, Berberes compatíveis com japandi por volta de 2020). Se comprar uma peça que vai na crista da moda, paga um prémio de moda que não se mantém.
Paciência. A valorização típica opera ao longo de 20 a 50 anos. Quem quiser revender daqui a cinco anos está no mercado errado.