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Corantes naturais frente a corantes químicos

A tinturaria decide como um tapete envelhece. A tinturaria natural ganha com os anos, a química perde. Quem sabe distinguir os dois mundos compra de outra forma e avalia de outra forma. Esta página organiza os critérios.

#O que significa tecnicamente a tinturaria natural

A tinturaria natural usa fontes vegetais ou animais para a pigmentação. Raiz de garança para o vermelho, índigo para o azul, casca de nogueira para o castanho, reseda para o amarelo, casca de romã para o ocre, cochonilha para o escarlate. Os corantes fixam-se com mordentes como o alúmen ou o sulfato de ferro, muitas vezes em vários banhos, para alcançar profundidade e solidez.

A tinturaria química recorre a pigmentos sintéticos, na maioria corantes ácidos ou reativos disponíveis desde a década de 1860. Os corantes de anilina surgiram em 1856, hoje estão em grande medida substituídos por razões de qualidade. Os corantes sintéticos modernos são de solidez controlada à luz, económicos e reprodutíveis em qualquer tonalidade.

A diferença fundamental: os corantes naturais nunca são absolutamente uniformes, porque vêm de material vegetal de concentração variável. Os corantes químicos são perfeitamente reprodutíveis. O que à primeira vista parece uma vantagem da química inverte-se ao longo das décadas.

#Pátina e abrash como marca de qualidade

A lã tingida com corantes naturais envelhece de forma desigual. Um vermelho de garança que originalmente brilhava num laranja vigoroso torna-se ao longo das décadas mais profundo e mais ameixa. Um azul índigo perde a sua frieza nítida e fica mais quente, quase violeta-tinta. Esta mudança não acontece de modo uniforme no tapete, mas conforme a incidência da luz e o desgaste. O resultado é o abrash, o jogo estriado de diferentes nuances de cor dentro do mesmo campo.

Para os colecionadores, o abrash é um sinal central de autenticidade. Uma tinturaria química moderna pode imitar o abrash, por exemplo por lavagem à pedra ou tratamento ácido. Numa observação atenta, essa pátina artificial parece demasiado homogénea, falta a transição entre as zonas profundas do nó e as partes expostas do pelo.

Um abrash autêntico nunca é simétrico. Quando um tapete está uniformemente mais escuro de um lado do que do outro, é indício de efeito natural da luz ao longo dos anos, não de tratamento posterior.

#Como distinguir o natural do químico

Três testes funcionam sem laboratório. Primeiro: base do pelo. Separe o pelo e observe a raiz da fibra de lã, onde o nó assenta sobre o tecido de base. Na tinturaria natural a cor costuma ser mais profunda e saturada do que na ponta do pelo, porque a ponta esteve exposta à luz durante anos. Na tinturaria química a cor é idêntica da raiz à ponta.

Segundo: teste de fricção com pano húmido. Esfregue com firmeza um pano branco húmido sobre uma zona de cor intensa. A tinturaria natural raramente larga cor, porque foi tingida e lavada ao longo dos anos. Alguns corantes de anilina e ácidos antigos largam cor com clareza.

Terceiro: cheiro. Um tapete de lã molhado com tinturaria natural cheira a terra e a ovelha. Com tinturaria sintética os cheiros são frequentemente mais duros, por vezes com nota química.

Para uma determinação inequívoca, um teste laboratorial à anilina ou a determinados grupos de corantes sintéticos é o melhor método. As casas de leilões reputadas oferecem essa análise como serviço.

#Evolução do valor ao longo das décadas

Os tapetes de lã com tinturaria natural do século XIX e início do XX são hoje peças de coleção. Um Heriz bem conservado com tinturaria natural de 1880 atinge regularmente num leilão da Sotheby's preços de quatro a cinco algarismos por metro quadrado. O investimento inicial superado várias vezes.

Os tapetes tingidos com anilinas antigas, das décadas de 1880 a 1920, são em contrapartida peças problemáticas. Os primeiros corantes sintéticos não eram sólidos à luz e estão hoje frequentemente desbotados ou manchados. Têm um mercado ativo, mas a preços claramente mais baixos do que as peças comparáveis com tinturaria natural.

Para os tapetes novos vale a analogia. Um Bidjar acabado de atar com tinturaria natural, vindo de uma manufatura que usa comprovadamente garança e índigo, é hoje 30 a 50 por cento mais caro do que uma peça comparável tingida quimicamente. Essa diferença mantém-se ao longo dos anos, porque a tinturaria natural ganha com a pátina.

Para compradores com intenção de investimento: a tinturaria natural certificada (DOBAG, GoodWeave Plus, manufaturas concretas) é a única aposta segura.

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