Tapete de polipropileno
O polipropileno é a fibra sintética mais vendida do mundo para tapetes. Combina preço baixo com alta resistência ao uso e facilidade de manutenção. O que não sabe fazer é envelhecer, ganhar pátina ou desenvolver carácter. Esta página mostra onde o polipropileno é a escolha certa, onde a lã ou a seda são claramente melhores e como reconhecer uma peça em polipropileno realmente boa.
#O que é o polipropileno como fibra para tapetes
O polipropileno é um plástico termoplástico, desenvolvido nos anos 50 e estabelecido desde os anos 70 como fibra de tapete. Quimicamente é um polímero de cadeia longa formado por monómeros de propileno. A fibra é obtida por fiação por fusão: o granulado é fundido, prensado através de fieiras e, ao arrefecer, estirado em fios contínuos.
Ao contrário da lã, o polipropileno é uma fibra maciça e lisa, sem escamas e sem película natural de gordura. O líquido não penetra na fibra, escorre à superfície. Essa propriedade explica a alta resistência a manchas: um café derramado sobre um tapete de polipropileno pode ficar minutos antes de ser absorvido.
A diferença face à lã também se sente ao toque. O polipropileno parece mais liso, menos quente, menos vivo. Carrega-se estaticamente com um pouco mais de facilidade, porque não há humidade da lã a dissipar a eletricidade. Em comparação direta, uma mão treinada distingue as duas fibras em segundos.
Frente ao algodão: o algodão é absorvente, transpirável e fresco. O polipropileno é repelente à água, pouco transpirável e ligeiramente quente ao sol. Estas propriedades fazem dele a primeira escolha para exteriores e zonas húmidas e uma má escolha para salas de estar onde o bem-estar climático conta.
#Vantagens dos tapetes de polipropileno
Preço. Um tapete de polipropileno tecido à mão custa entre 80 e 200 euros por metro quadrado, um tecido à máquina a partir de 30 euros. Uma qualidade equivalente em lã parte dos 300 euros por metro quadrado, e em lã virgem atada à mão muito acima. Quem procura um tapete para uma solução temporária ou para uma divisão pouco usada encontra aqui a opção mais simples.
Resistência a manchas. A superfície fechada da fibra não absorve líquido. Vinho tinto, café, chá, sumo e até tinta removem-se muitas vezes por completo com água fria e detergente suave. Na lã, muitas dessas manchas ficariam visíveis para sempre.
Fácil de cuidar. O polipropileno tolera água, sabão suave e até champô. As peças pequenas vão à máquina em programa delicado. Os tapetes maiores limpam-se a fundo com esponja e solução. Uma lavagem profissional raramente é necessária.
Hipoalergénico. Como o polipropileno não contém proteínas naturais, os ácaros e outros microrganismos alergénicos encontram menos alimento. Para pessoas com alergia ao pó doméstico, um alívio percetível. Ainda assim, aspire com regularidade, porque escamas de pele e pó também se depositam numa fibra sintética.
Estabilidade UV. Os tapetes de polipropileno de qualidade integram estabilizadores UV que mantêm a fibra com cor durante anos, mesmo sob luz solar direta. Um tapete de polipropileno num terraço quase não perde intensidade de cor ao fim de três verões, enquanto um tapete de lã no mesmo lugar desbota claramente.
Resistência à água. Em casas de banho, cozinhas, zonas de entrada ou no terraço, o polipropileno é a única opção séria de fibra. Não cria bolor, não incha e seca depressa.
#Desvantagens dos tapetes de polipropileno
Sensibilidade ao calor. O polipropileno funde-se a cerca de 160 graus Celsius e começa a amolecer já entre 100 e 120 graus. Uma máquina de limpeza a vapor muito quente, um irradiador de calor sem proteção ou uma panela quente caída deixam deformações visíveis que não são reversíveis. Uma brasa de cigarro queima de imediato.
Nem pátina, nem envelhecimento. A lã desenvolve, ao longo das décadas, um brilho fino, um tato mais macio e uma coloração característica. O polipropileno fica, no melhor cenário, igual ao que saiu da embalagem. No pior, a superfície torna-se mate por microarranhões. Um tapete de polipropileno com 30 anos parece gasto, em nada mais nobre do que no primeiro dia.
Peso. Os tapetes de polipropileno pesam claramente menos do que os de lã do mesmo tamanho. O que parece prático tem uma desvantagem: o tapete escorrega com mais frequência em pisos lisos. Uma base antiderrapante é quase sempre obrigatória.
Menos conforto acústico. A lã absorve som consideravelmente melhor do que o polipropileno. Numa divisão com piso duro, a reverberação fica mais presente com um tapete de polipropileno. Quem tem cinema em casa ou um equipamento de som numa sala sensível nota a diferença.
Menor capacidade térmica e tato. O polipropileno é mais fresco sob o pé descalço do que a lã, a condutividade térmica é menor. Em quartos ou salas onde se anda descalço, sente-se falta do calor lanoso.
Aspeto ambiental. O polipropileno é um derivado do petróleo. As taxas de reciclagem são baixas e a degradação biológica praticamente não existe. Quem dá valor a uma escolha de material sustentável irá colocar aqui outras prioridades.
Sem valor de coleção. Um tapete de polipropileno perde valor continuamente desde o primeiro dia. Uma lã natural atada à mão de boa proveniência pode manter valor estável durante décadas ou até ganhá-lo.
#Onde os tapetes de polipropileno encaixam realmente
Exteriores e terraços. Aqui o polipropileno quase não tem concorrência. Resiste a chuva, sol, mudanças de temperatura e geada ocasional sem danos visíveis. A escolha óbvia para varandas, terraços cobertos e zonas de jardim.
Quartos infantis e zonas de brincar. Leite derramado, sumo, lápis de cera, plasticina: com um tapete de polipropileno não há drama. Com esponja e água removem-se quase todos os vestígios. Em famílias com crianças pequenas, uma escolha que alivia, pelo menos nos primeiros anos.
Lares com cães e gatos. O pelo de animal aspira-se bem. Pegadas e bebedouros são suportados sem problema pela fibra. Em situações de contaminação por urina, o polipropileno é também mais agradecido do que a lã, porque a fibra não retém o cheiro.
Cozinhas. Quando o espaço integra uma cozinha aberta e se quer um tapete que traga ambiente, o polipropileno é a única opção sensata. A lã absorveria a névoa de gordura da zona de confeção e ficaria com aspeto oleoso ao fim de poucos meses.
Casas de banho. Aqui o polipropileno não tem alternativa. A lã ganha bolor, a seda estraga-se, o algodão fica com cheiro a mofo ao fim de semanas. Um tapete de casa de banho em polipropileno seca depressa, lava-se com frequência e dura anos sem problemas.
Casas arrendadas e soluções temporárias. Quem precisa de um tapete por dois ou três anos e não quer investir encontra aqui a solução mais simples. À mudança, descarta ou revende sem remorso.
Corredores e zonas de entrada. Muita sujidade, muita frequência, humidade frequente do calçado. O polipropileno aguenta, uma lã clara não.
#Reconhecer qualidade: heatset, densidade e tecido de suporte
Nem todo o polipropileno é igual. Três traços separam a peça robusta da venda barata.
Heatset ou não. O polipropileno de qualidade passa por um tratamento térmico que fixa uma frisagem permanente na fibra e a mantém estável na sua forma. O polipropileno heatset tem um tato mais cheio, um ligeiro brilho e conserva a sua firmeza durante anos. O não heatset achata-se e fica mate ao fim de poucos meses. No comércio, o heatset costuma estar declarado na ficha técnica, pergunte ativamente.
Densidade. Num tapete de polipropileno, entre 1.500 e 2.500 gramas de fio de pelo por metro quadrado é qualidade padrão, 3.000 gramas ou mais é qualidade alta. Abaixo de 1.000 gramas entra-se em peças de vida curta, que mostram desgaste claro ao fim de dois anos de uso normal.
Tecido de suporte. Três construções são correntes. Tela de juta como camada de suporte é a opção mais nobre, transpirável e duradoura. Tela de poliéster como suporte é o padrão. A camada de látex no verso é a opção mais económica: torna o tapete antiderrapante, mas o látex vai ficando quebradiço com os anos e desfaz-se. Com base em látex conte com sete a dez anos de vida útil, com juta vinte ou mais.
Altura do pelo. Pelo curto abaixo de 8 mm é mais resistente, mais fácil de limpar e melhor em zonas de entrada. Pelo alto a partir de 15 mm é mais acolhedor, mas mais exigente, porque a sujidade desce até ao fundo.
Firmeza da cor. As peças de qualidade têm a fibra tingida em massa, não impressa à superfície. Num fragmento de fio, a cor não se deve poder raspar. Quem compra barato obtém muitas vezes material impresso que perde tom ao fim de poucas lavagens.
Rótulos e selos. A conformidade CE é obrigatória por lei, mas diz pouco. Mais expressivos são o Oeko-Tex Standard 100, que avalia a fibra quanto a substâncias nocivas, e o selo alemão Blauer Engel para produtos particularmente respeitadores do ambiente.
#Cuidado e limpeza
Aspirar uma vez por semana, no sentido do pelo. Com polipropileno admitem-se até aspiradores com escova rotativa, porque a fibra é robusta. Ainda assim, um bocal liso costuma bastar.
Dê toques imediatos às manchas com água fria e uma gota de detergente suave. O polipropileno tolera até champô, mas tudo o que vai além de um detergente suave para lã raramente compensa e, a longo prazo, pode deixar resíduos.
Limpeza em larga escala com esponja e balde. Água morna, um pouco de detergente para lã, aplicar de forma uniforme, passar com água limpa e deixar secar ao ar. Manter húmido no máximo durante uma hora, caso contrário a camada de látex no verso pode inchar.
Peças pequenas com menos de dois metros quadrados, com autorização expressa de máquina, podem ir ao programa delicado a 30 graus, sem centrifugação. Depois, secar na horizontal.
A limpeza a vapor a 60 graus ou mais é perigosa. Se o bocal ficar demasiado tempo no mesmo ponto, a fibra funde-se. Se for mesmo necessário usar vapor, faça-o apenas à temperatura mais baixa e sempre em movimento.
Evite secadores de ar quente e irradiadores de calor na proximidade do tapete. O risco de fusão é real.
Os procedimentos detalhados são descritos na página Limpar tapete.
#Quando o polipropileno não é a escolha certa
Salas representativas e de elevado valor estético. Numa sala de estar com pretensão estética, mesmo um bom polipropileno parece depressa um compromisso de baixo orçamento. Quem entende o tapete como peça de mobiliário a longo prazo compra lã.
Quartos e divisões de uso descalço. A lã é superior em todos os pontos: mais quente, mais macia, mais transpirável. O polipropileno não substitui o conforto de uma lã virgem.
Pessoas com sensibilidade química. O polipropileno enquanto material tem poucas emissões, mas os tapetes novos podem libertar odores nas primeiras semanas incómodos para pessoas sensíveis. Com sensibilidade química múltipla, uma fibra natural pura sem revestimentos sintéticos é a escolha mais segura.
Espaços com exigências de proteção contra incêndio. Em locais comerciais com requisitos acrescidos de proteção contra incêndio ou em habitações com fogões a lenha sem distância de segurança suficiente, a lã é preferível, porque é menos inflamável e, em caso de incêndio, carboniza em vez de fundir e gotejar.
Investimento a longo prazo. Quem compra um tapete como peça duradoura e potencialmente estável em valor erra com polipropileno. Aqui só se justifica o atado à mão em fibra natural de qualidade.
Espaços climaticamente sensíveis. Em habitações com grandes oscilações de temperatura ou alta radiação solar no verão, o polipropileno não se entende com a acústica do espaço nem com o clima interior tão harmoniosamente como uma fibra natural transpirável.
Em suma: o polipropileno é a escolha certa para uma série bem delimitada de utilizações em que mandam a robustez e a facilidade de manutenção. Fora destas, o sobrepreço de uma lã ou de um tapete oriental atado à mão compensa a longo prazo.
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