Remover sangue do tapete
O sangue num tapete é uma das poucas sujidades com uma regra química inflexível: nada de calor. A hemoglobina, o componente vermelho do sangue, coagula com o calor e liga-se permanentemente à fibra de lã. Quem já lhe pôs água morna, incorporou a mancha. Quem trabalha a frio, retira-a por completo na maioria dos casos.
#Porque a água fria não é negociável
O sangue é composto em grande parte por água, proteínas e hemoglobina. As proteínas, em estado fresco, são solúveis em água e enxaguam-se sem problema. Assim que são expostas a temperaturas acima de cerca de 35 graus Celsius, começa a coagulação. As proteínas aglutinam-se e ligam-se permanentemente a tudo aquilo com que estão em contacto. Numa fibra de lã isso significa: já não se dissolvem.
Por isso, para qualquer mancha de sangue, seja humana ou de um animal ferido, vale uma regra: água fria, pano fresco, nada de calor. Mesmo a tentativa de lavar a mancha com água morna mais depressa leva ao efeito contrário.
As manchas frescas de sangue removem-se sem vestígio em 95 por cento dos casos, quando se respeita a regra do calor.
#Medida imediata em sangue fresco
Absorva de imediato o excesso de sangue com um pano branco seco, dando pequenas batidas. Pequenas batidas, sem esfregar. Várias vezes, com uma zona limpa do pano, de fora para dentro.
Depois, água fria, de preferência direta da torneira. Embeba um segundo pano em água fria, escorra-o e aplique com pequenas batidas sobre a zona. Mude o pano com frequência, assim que ele capte cor.
Em alternativa, pode envolver cubos de gelo num pano e passá-los sobre a zona. O frio evita coagulação adicional e dissolve as proteínas residuais.
Repita o processo até o pano deixar de captar cor. Numa mancha fresca, isso costuma acontecer em poucos minutos.
Importante: água com sal é opcional, mas eficaz. Uma colher de chá de sal em 250 ml de água fria. A solução salina extrai proteínas da fibra e acelera a limpeza.
#Passo a passo: mancha de sangue seca
Passo 1: passe com cuidado uma escova de cerdas macias sobre a crosta seca, para retirar os restos soltos. Não danifique o pelo.
Passo 2: em tapetes de lã, prepare uma solução de água fria e algumas gotas de detergente para lã. Mergulhe o pano, escorra bem, mantenha a zona húmida durante 10 minutos, sem a encharcar.
Passo 3: utilize um produto de manchas enzimático. Estes produtos contêm proteases, ou seja, enzimas que decompõem proteínas. Vendem-se em lojas de animais ou em drogarias. Aplique conforme as instruções do fabricante, sempre com água fria.
Passo 4: em tapetes sintéticos (polipropileno, poliéster) ajuda uma solução de água oxigenada a 3 por cento, de farmácia. Nunca aplique em lã ou seda, porque provoca clareamento visível.
Passo 5: passe com água fria limpa, para que não fiquem resíduos de produto no pelo.
Passo 6: cubra a zona com panos secos para fazer peso e deixe secar na horizontal. Nunca use o secador.
#Indicações específicas por material
Lã: água fria, detergente para lã, produto enzimático. Nada de lixívia, nada de água oxigenada. A lanolina protege a fibra, mas pode ser arrastada por produtos agressivos.
Seda: nenhuma água, nem morna nem fria. A seda reage à humidade com marcas que não desaparecem. Absorva apenas o excesso com pequenas batidas e chame um especialista.
Algodão (quilim, dhurrie): água fria e detergente suave funcionam bem. Em tapetes modernos de algodão, também é viável a lavagem à máquina em programa frio, desde que a peça seja suficientemente pequena e não tenha nós atados à mão.
Sintético (polipropileno, poliéster): o mais simples. Água fria, sabão suave e, se necessário, água oxigenada. Atenção ao revestimento posterior, alguns tapetes sintéticos têm reverso em látex, que não pode ficar demasiado molhado.
Pelo alto: mais difícil do que o pelo curto, porque o sangue penetra mais fundo no pelo. Mais pequenas batidas, mais paciência, mais passagens.
#Lista de proibições
Água morna ou quente: o sangue coagula de imediato. Nunca.
Secador, ferro de engomar, ar quente: secam depressa e fixam a mancha em definitivo. Secar na horizontal ao ar é a única opção.
Lixívia em lã ou seda: desbota a fibra de imediato e danifica as cores naturais.
Esfregar com pressão: destrói a estrutura da fibra e empurra o sangue para o interior. Apenas pequenas batidas, apenas com água fria.
Detergente da loiça com lixívia ou extratos cítricos: deixa resíduos que atraem sujidade a longo prazo e podem alterar as cores. O detergente suave para lã é a escolha certa.
Detergente universal com enzimas do supermercado: alguns contêm enzimas adequadas, mas também branqueadores e perfumes problemáticos para a lã. Os produtos de manchas especializados são mais seguros.
#Quando recorrer ao profissional
Em tapetes de seda, de imediato. Um tratamento em casa só piora a situação. Absorva apenas o excesso com pequenas batidas e cubra a zona, sem apertar, com um pano seco.
Em manchas de sangue de grande extensão, por exemplo após uma ferida. Se o sangue chegou ao tecido de base, as pequenas batidas à superfície não bastam. Trate a superfície com água fria, cubra-a e chame um limpador.
Em peças antigas com tintas naturais existe o risco de os remédios caseiros atacarem as cores. Uma lavagem profissional é mais segura do que a mistura experimental de produtos.
Uma lavagem de tapetes em Hamburgo custa entre 80 e 200 euros e remove por completo até manchas de sangue secas em 90 por cento dos casos, desde que antes não se tenha usado água quente.