Giárdia no tapete
As giárdias são parasitas intestinais unicelulares que surgem sobretudo em cães, gatos e crianças. Os seus quistos são eliminados com as fezes, entram em casa pelas patas ou pelos sapatos e sobrevivem nos têxteis durante surpreendentemente muito tempo. Esta página mostra o que realmente atua contra a giárdia no tapete e quais os remédios caseiros que se revelam ineficazes.
#O que é a giárdia e como chega ao tapete
Giardia duodenalis é um parasita intestinal unicelular que coloniza o intestino delgado e pode provocar diarreia crónica. Os quistos infeciosos são eliminados com as fezes e, em quantidades minúsculas, invisíveis a olho nu, podem contaminar patas, sapatos ou brinquedos.
Num lar com cão ou gato há três vias típicas de entrada: por contacto com as patas após a ida à casa de banho, por lambidelas em zonas contaminadas e pelas bocas dos animais após contacto com o bebedouro. Em casas com crianças pequenas, juntam-se os brinquedos e as mãos como vetores.
Os quistos são resistentes e estão protegidos por uma dupla parede. Sobrevivem fora do hospedeiro consideravelmente mais tempo do que a maioria dos restantes agentes patogénicos.
#Tempo de sobrevivência em têxteis
Os quistos de giárdia sobrevivem vários meses em ambientes frescos e húmidos. Numa sala de estar típica, com 20 a 22 graus e humidade moderada, são realistas 4 a 8 semanas. Em caves húmidas ou debaixo de móveis, onde além disso é escuro, os quistos podem manter-se infeciosos até 6 meses.
Em ambiente seco, com menos de 30 por cento de humidade, o tempo de sobrevivência reduz-se a poucos dias. A luz solar direta com componente UV elimina os quistos em horas a dias.
Isto significa que, após um episódio documentado de giárdia num animal, o tapete deve ser tratado como potencialmente contaminado durante pelo menos 2 meses. Um tratamento centrado apenas no animal, sem tratar o espaço, leva frequentemente a reinfeção, porque o animal volta a contaminar-se nos próprios locais de descanso contaminados.
#O que realmente atua contra a giárdia
Calor acima de 60 graus elimina os quistos de forma fiável. Uma limpeza profissional a vapor, com 75 graus ou mais, inativa os quistos em 5 minutos de tempo de contacto. É o método mecânico mais eficaz para um tapete contaminado.
A luz UV-C de equipamento médico também elimina os quistos rapidamente. Para uso doméstico, estes aparelhos são caros e devem ser usados com cautela, porque o UV-C provoca também danos na fibra e irritações cutâneas.
Os compostos quaternários de amónio, presentes em desinfetantes de superfície autorizados em uso veterinário, desativam os quistos de forma fiável. Encontram-se em lojas de animais e em consultórios veterinários. Aplique conforme as instruções do fabricante, sempre com luvas.
A combinação é o mais eficaz: retirar mecanicamente as zonas com fezes, tratar com desinfetante e aplicar de seguida uma limpeza a vapor. Repetir após 4 semanas, porque os quistos podem sobreviver mais tempo em pelo profundo.
#O que não ajuda
Vinagre ou produtos com vinagre: ineficazes contra os quistos de giárdia. A dupla parede do quisto resiste aos ácidos.
Bicarbonato de sódio: ineficaz. Absorve odores, mas não mata parasitas.
Água fria com detergente da loiça: arrasta sujidade superficial, mas não desativa os quistos.
Óleo de lavanda, óleo de árvore-do-chá ou outros óleos essenciais: apesar das promessas publicitárias, não são suficientemente eficazes contra os quistos de giárdia. Podem eventualmente danificar quistos isolados, mas não são fiáveis.
Limpa-tudo doméstico comum sem declaração de ação contra protozoários: ineficaz. Confirme no rótulo. Se a giárdia ou o Cryptosporidium não constarem, o produto não está autorizado para estes agentes.
Apenas aspirar: pode retirar parte dos quistos, mas, ao aspirar, também os redistribui pela divisão. Por si só, não basta.
#Passo a passo após uma infestação
Passo 1: recolher de imediato os restos visíveis de fezes com luvas, colocá-los num saco de plástico, fechar e descartar no lixo indiferenciado. Nunca no compostor.
Passo 2: trate a zona e a área envolvente com generosidade com um desinfetante de superfícies à base de compostos quaternários, deixando atuar 5 a 10 minutos.
Passo 3: aspire totalmente o tapete, com distância suficiente face às zonas não afetadas. Descarte o saco ou o depósito de imediato e troque o filtro.
Passo 4: limpeza profissional a vapor, no mínimo a 75 graus. Em tapetes de lã atados à mão, contrate um especialista que trabalhe a essa temperatura e que, ao mesmo tempo, proteja a fibra.
Passo 5: repita após 4 semanas, porque alguns quistos podem ter sobrevivido nas zonas profundas do pelo.
Passo 6: lave roupa de cama, brinquedos e capas a, no mínimo, 60 graus, ou passe-os por um secador de condensação em ciclo a quente.
Passo 7: leve o animal ao veterinário para tratamento completo. Em paralelo com o tratamento da habitação, caso contrário a infeção regressa.
#Prevenção em lares com animais de companhia
Em lares com cão ou gato faz sentido uma rotina de cuidados. Quem tem um tapete de lã atado à mão deve agendar uma limpeza profissional a vapor a cada 6 a 12 meses, idealmente a 75 graus ou mais. Abrange a giárdia, outros parasitas e a higiene geral.
Depois de cada passeio, limpe as patas, idealmente com água morna. Reduz consideravelmente a quantidade de agentes que entram em casa.
Limpe diariamente os bebedouros e os pontos de comida, não apenas uma vez por semana. A giárdia pode manter-se em água parada durante horas a dias.
Em casos documentados no contexto envolvente (escola canina, abrigo, jardim zoológico), faça analisar o seu cão mesmo sem sintomas. Cerca de 30 por cento dos animais infetados não apresentam queixas visíveis, mas eliminam quistos.
Em famílias com crianças com menos de 3 anos é necessária atenção especial, porque é aí que a transmissão através de brinquedos e mãos é mais provável.